domingo, 5 de abril de 2015

Cine poltrona: Aceita um pouco de Garapa?

Olá! Como vão? Para quem não lembra “I am Green, Ben Green”. Pois é faz tempo que não apareço e hoje, nesse retorno banal triunfal, trago pranto e ranger de dentes com uma mistura para os de estômagos fortes, tipo uma garapa.
Surgido de uma conversa informal entre o diretor José Padilha e seu então sócio Marcos Prado nos idos de 2001, o projeto que originou esse documentário se concretizou efetivamente em 2009 e recebeu o icônico nome de Garapa. De modo sintético, é possível dizer que a produção abarca um tema já constante nas rodas de conversa: a fome. O diferencial aqui é a visão particular imposta pela dupla já conceituada na época pelos documentários Ônibus 174 (2002), Estamira (2004) e pelo filmaço, Tropa de Elite (2007). Padilha organizou uma pequena equipe com outros quatro profissionais e, após meses de contato com grupos humanitários não governamentais, viajaram para o Ceará e, sem pré-seleção, acompanharam três famílias em situação de miséria.


A proposta do documentário é a observação, com o mínimo de intervenção, das dificuldades enfrentadas pela população faminta. Com um mês de filmagens, totalizando 45 horas, e sintetizadas em 110 min, Padilha filma em preto e branco, e traz o peso de um reconhecido diretor internacional para ‘mais um documentário’ sobre as mazelas da sociedade atual.  Vale salientar que ele evidencia a nudez das crianças e a falta de higiene dos locais, com visível intenção de chocar/emocionar; tal postura aparentemente forçada, ganha dimensões ainda maiores ao se observar que as relações familiares/interpessoais (gostei da /;) permeando todo o documentário são pouco aprofundadas. O que não é um problema, apenas MINHA constatação.
Comentar garapa é deveras interessante e ambíguo. Difícil pontuar algo de inovador no documentário, ou mesmo na produção. Ainda assim, surpreende a postura de focar as mulheres que habitam nessas famílias; ás vezes chefes, duras, outras vezes, singelas, mães e donas de casa. Inúmeros paralelos ou releituras podem ser feitas com: as “Mulheres de Atenas” do Chico; ou com a obra de Graciliano “Vidas Secas”; sobre as mazelas da administração publica; ou ainda acerca do histórico de sofrimento proveniente da seca no nordeste; ou, num contexto ainda mais amplo, um enfoque sobre a problemática do sistema capitalista... Mas reservo o direito de fugir desses lugares comuns. 

Garapa.
Estive conversando com O Poderoso Chanzão sobre futuras novidades no blog (OH!), e questionei o que traria de novo com minha visão emotiva e parcial humanista... é tipo mais do mesmo, né? Ele me respondeu que questionamos e pontuamos coisas óbvias, mas geralmente ‘esquecidas’, evitadas ou descartadas para não perturbar a vivência. Assim, digo que o triste, repugnante e traumatizante relato de Garapa é apenas uma peça constante no cotidiano, na rua atrás da nossa casa, próxima do trabalho, no caminho da faculdade. Realidade por vezes embaçada por nossa própria vontade. Só.

“Ah, Green, eu quero algo divertido e sem comprometimento! Algo pra rir! Poxa, o cara volta sem piadinha, com papo politizado...” Tá bom, tá bom, pra vocês da ‘critica pela critica’ um vídeo para nos agraciar o dia...

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